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Você sabe o que significa uma ocupação cultural?

Você sabe o que significa uma ocupação cultural?

As manifestações culturais são diversas e, como tais, surgem com vários estilos. Um festival de música jovem pode ter tanta importância para a transformação da cultura quanto uma exposição de quadros clássicos. Além dos eventos tradicionais, como peças, feiras e livros, há outra manifestação que merece destaque: a ocupação cultural.

Movimentos do tipo têm se espalhado pelas grandes cidades e são uma boa forma de alinhar visibilidade e transformação social. Antes de apostar nessa ideia, entretanto, é preciso saber trabalhá-la corretamente.

Neste texto, você descobrirá o que é uma ocupação de cultura, qual é o seu papel e como montar a sua. Confira!

Afinal, o que é e como funciona uma ocupação cultural?

O processo de ocupação tem um caráter social e transformador, que usa a cultura como ferramenta para modificar espaços e a sociedade em seu entorno. Ou seja, não se trata de um evento com data-limite de duração ou de uma intervenção em momento pontual.

A ocupação cultural é conduzida por vários produtores, artistas e coletivos e é realizada em prédios públicos e inativos há muitos anos. Não se trata de uma invasão ou de uma tomada irregular do imóvel. Na verdade, é um processo que visa a ressignificar o espaço e dar um novo uso a um local abandonado e desvalorizado.

Nessa etapa, são realizadas várias ações que buscam transformar o imóvel público de maneira positiva. É comum que ocorram eventos, mostras, debates e outras atividades com um caráter específico.

A diferença para um processo cultural tradicional é que ele não é feito para uma só pessoa e acontece de maneira contínua. Não há o objetivo de lucro e, sim, de melhorar o ambiente. Em muitos casos, o local pode ser cedido ou convertido em uma Casa de Cultura oficial, por exemplo.

Como afetar o lugar positivamente?

O principal objetivo de uma intervenção desse tipo é conseguir uma modificação positiva para o espaço em questão. Além de transformar o ambiente, há o interesse de impactar a comunidade ao redor. A democratização no acesso à cultura permite que as pessoas se tornem mais conscientes ou até que trabalhem certos talentos, por exemplo.

Então, é preciso pensar em criar uma proposta de valor, que eleve o espaço e o torne um centro de referência local sobre a cultura. Nesse sentido, ter um bom planejamento e alinhar os objetivos faz toda a diferença.

A Ocupação Cultural Jeholu, em São Paulo, é um exemplo. Ela busca trazer coletividade e reflexão sobre a identidade negra por meio da cultura. Já a Ocupação Cultural de Ermelino Matarazzo, também da capital paulista, deseja criar a Casa de Cultura de Ermelino Matarazzo e Ponte Rasa, administrada pela população.

As ações, portanto, são executadas de modo a garantir benefícios coletivos — tanto do ponto de vista da reflexão e do acesso, quanto da construção de novas possibilidades.

Como montar uma ocupação cultural?

Para dar início a um projeto-tipo, como dito, é preciso ter bastante planejamento. A ação não pode ser feita sem um propósito, então tudo tem que ser pensado antes.

Se você quiser montar uma ação desse estilo, saiba, abaixo, como proceder.

Veja se existe algum programa sobre o tema

Alguns estados reconhecem o grande potencial desses movimentos e oferecem iniciativas específicas. No Rio de Janeiro, por exemplo, há o Programa de Ocupação Cultural (POC). Com a atuação da Secretaria Estadual de Cultura, é possível ter acesso a uma lista de imóveis elegíveis.

Outras localidades também oferecem a instalação gratuita em centros culturais e outros ambientes. Ao reconhecer se existe essa possibilidade, fica mais fácil definir os rumos de atuação.

Estabeleça um nicho de interesse

Em seguida, é o momento de pensar em qual é o objetivo da atividade para quem ela é voltada. A Ocupação Cultural Jeholu, como visto, aborda questões ligadas à negritude. Também há aqueles direcionados para outros públicos, como indígenas, jovens e assim por diante.

Ao definir um foco, é possível direcionar a sua atuação. Além de tudo, ter um nicho estabelecido é muito importante para atrair as pessoas certas, de modo a concretizar a transformação dentro do esperado.

Tenha um planejamento financeiro

Para que a ocupação seja considerada regular, é comum ter que fazer adaptações no espaço em busca de mais segurança. Também é preciso recorrer a etapas que visam a melhorar o local e torná-lo atraente. Em muitos casos, há novas pinturas ou consertos específicos.

Além do mais, é comum pagar artistas ou, no mínimo, os materiais relacionados aos eventos, a água e a energia elétrica. Tudo isso exige um bom planejamento financeiro, de modo a evitar o endividamento e garantir a continuidade da ocupação cultural.

Assim, elabore um planejamento que inclua os gastos e as fontes de recursos. A princípio, é possível obter o dinheiro entre os participantes. Com o tempo, há a expansão com novos relacionamentos. Não se esqueça de reservar uma parte para emergências e de deixar as contas claras.

Ofereça as atrações certas

Uma ocupação cultural que fala da presença das mulheres no mundo das artes, por exemplo, deve realizar eventos com essa temática. Exposições de trabalhos femininos de artistas locais, oficinas para mulheres e palestras com referências são algumas possibilidades. O mesmo vale para qualquer que seja o nicho de interesse.

Para que a transformação se consolide de forma positiva, portanto, pense com cuidado nas atrações. Veja o que realmente tem a ver com a ocupação cultural e crie uma programação que ajude a envolver a comunidade e a gerar mudanças.

Qual é a importância de buscar parcerias?

Não é porque o objetivo não inclui o lucro que o suporte externo não é necessário. Como não há contrapartidas, é mais difícil captar patrocinadores. No entanto, é viável conquistar apoiadores e parceiros que realmente acreditam na ideia. Busque pessoas interessadas em trazer cultura para a comunidade e peça o apoio.

Um restaurante pode oferecer refeições mais em conta e uma loja de itens artísticos pode dar alguns descontos. Fale, ainda, com profissionais. Ter um técnico de luz ou um DJ como parceiro leva as realizações culturais para um novo nível. O importante é aproveitar as características da economia criativa, de modo a viabilizar as atrações e atividades.

A ocupação cultural é um movimento transformador e que tem fundamental importância. Ao saber como executar a sua, é possível imprimir novas características a locais que estiveram abandonados por muito tempo.

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